sábado, 2 de maio de 2009

Finalmente

Tento abrir
Empurro com força
De forma inútil realizo eu por fim
Preso neste espaço confinado ao vazio
Está escuro como breu
Um cheiro envernizado a madeira nova
Sinto o pulsar da terra
Onde estarei eu?
Obcecado por abandonar este buraco
Cavado fundo no solo
De encontro às raízes entulhado
Como uma árvore aqui enraízado
Desejo sair ardentemente
Onde estou eu?
Começo a sufocar sem espaço
O que me aconteceu?
Estou de fato e laço
Cheira-me a novo
Cheira-me a flores
Que se passou comigo?
Toda a vida esperei por um caixão
Agora só desejo sair de novo
Inspirar o ar novo e fresco da noite
Soluço com desespero
Este meu fim inexplicado
Apenas preso até que finalmente
Dou por mim na cama acordado.

Na Tumba Fechado

Fechado nesta tumba
Tento imaginar as estrelas
Penso em ti
Deito-me nestes lençóis de seda
Frios por não estares aqui
De que me serve esta eternidade
Se a irei passar sozinho
Existe um nevoeiro no meu coração
Que congela agora as minhas emoções
Um ar pesado que anestesia
A cada breve inspiração
Um aperto no peito
Um pulsar nas têmporas
Agora que realizo a tua partida
Jazes sobre pétalas doiradas
Voando com os ventos
E nada restará para nosso consolo
Até ao fim dos tempos.

Desolado

Prazerosa solidão
Oh! Extasiante veneno
Onde me perco em liberdade moribunda
Um mundo de escuridão
De negro deambulo para o abismo
Fujo da luz ofuscante
Desolado
Olho para trás
Através da janela do passado
Choro uma eternidade
De lágrimas esfriadas
Tão quebradiço é o pulsar do meu coração
Como o seu batimento
Limitado pela minha silênciosa existência.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Agonizante

Tudo o que vejo
Tudo o que sinto
É apenas dor
Abraça-me
Diz-me que acabou
Liberta-me das minhas próprias garras
Sou o meu pior inimigo
Destruindo-me até ao último suspiro
Lembro-me de sorrir vagamente
Contando os dias vindouros
Sonhando...
Agora não tenho mais esperança
Tudo se desvaneceu
De alguma forma me amas
De outra me odeias
Deixa-me cair na realidade
Não posso mais continuar
Esta ilusão perpétua
Não é mais que morte lenta
Agonizante estado de ser
Prefiro ter um fim curto
E parar este sofrer.

Beleza da Noite

Vejo os teus olhos brilhar
Como espelho prateado
Uns lábios carnudos
Pálidos e sensuais
De formas subtis
Um rosto apagado
Uma lágrima perdida
De expressão fria e distante
Marcas o tempo escondido
Marcas o choro da lua
E com ela choras também a beleza da noite.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Busca Eterna

A esperança tenta ressuscitar-nos
Para a desilusão daquilo que nunca conseguiremos alcançar.
Um pesadelo em que não conseguimos acordar.
Procuramos as respostas que nos mentem,
Uma busca eterna pela compreensão da verdade
Sem nunca encontrar serenidade...
Acabamos todos por perder o significado do amor
Quando no fim, só nos resta solidão e dor.
Escondidos do tempo, mas perseguidos pelo passado
Que construimos dolorasamente, segundo a segundo, em vão, bocado a bocado...
É vaga a felicidade e cortante a tristeza
Sangrando a incerteza, do que nos espera
Nesta busca eterna pela verdade.

domingo, 26 de abril de 2009

O Sopro

É uma noite de escuridão
Uma música de solidão
O vento uiva a sua dor.
A alma desperta...

A morte leva-a a caminhar
No seu medo eternamente.

O longo cabelo negro caí sobre
Os seus ombros pálidos, saciando-se com o sangue
Que escapa dos seus lábios negros de sede.
Uma noite de êxtase,
Em que eu me lembro de sorrir vagamente.